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Disposição para a luta em unidade marcou o 36º Congresso do ANDES-SN

Já na madrugada de domingo (29), os delegados encerram dos trabalhos do 36º Congresso do ANDES-SN, com a aprovação de diversas moções e a leitura da Carta de Cuiabá, que será disponibilizada posteriormente no site do Sindicato Nacional e enviada às seções sindicais.

Entre as mais de 30 moções aprovadas estão a de repúdio os governos dos estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte pelo sucateamento e ameaça de privatização das universidades estaduais – Uerj, Uezo, Uenf e Uern.  Ainda em relação ao estado do Rio de Janeiro, os delegados aprovaram o repúdio à política econômica que vem sendo desenvolvida pelo governo estadual, que se aproveita do discurso de crise para deixar milhares de servidores sem o pagamento de seus vencimentos em dia.

Os participantes do 36º Congresso do ANDES-SN repudiam também o governo e os membros da Assembleia Legislativa do Ceará pela aprovação, no final de 2016, de proposta de emenda constitucional 03/16 e projeto de lei 11/16, ambos do Executivo estadual, que a institui novo regime fiscal e eleva a contribuição previdenciária dos servidores cearenses, respectivamente.

Ainda em relação aos ataques de governos estaduais, os delegados expressaram solidariedade aos servidores do Rio Grande do Sul, que têm seus empregos e direitos ameaçados pela extinção de diversas fundações do estado.

Foi expresso ainda o repúdio à Reitoria da Universidade de São Paulo que exigiu, na justiça, o despejo do Sindicato dos Trabalhadores da USP de sua sede histórica, no campus Butantã da instituição, e ainda pelo ataque às creches da universidade, com o recente fechamento da Creche Oeste, no mesmo campus.

Os docentes manifestaram, também, apoio ao reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher, e à estudante Thais Zacharia, do centro acadêmico da UFRJ, que estão sendo alvos do Ministério Público Federal, que ajuizou ação civil pública tendo como justificativa uma suposta “improbidade administrativa” pelo apoio à realização de ato em favor da democracia.

Outra moção de repúdio aprovada foi endereçada ao Ministério da Educação  e ao Conselho Universitário da Universidade Federal de São Paulo, devido à suspenção da nomeação da professora Soraya Smaili para o cargo de reitora da universidade, vencedora da primeira consulta pública paritária às três categorias que constituem a universidade, resultado confirmado pelo Conselho Universitário.

Em sua fala de encerramento, a presidente do ANDES-SN, Eblin Farage, destacou alguns momentos do 36º Congresso.  “Começamos o nosso congresso mostrando que a nossa disposição é de fato aprender com a história para que possamos transformar o presente. Por isso,  fizemos a opção de, nesse congresso, fazer homenagens e relembrar a história como os 100 anos da Revolução Russa, os 100 anos da primeira greve geral no Brasil, os 50 anos de morte de Ernesto Che Guevara, a morte de Fidel Castro e as mulheres revolucionárias desse processo. E ousamos fazer um vídeo [apresentado na abertura], e fazer uma rádio, que foi uma novidade”, destacou. Durante os dias do congresso, os participantes receberam por whatsapp o programa Cuiabá 36, idealizado pela diretoria do ANDES-SN e executado por  um grupos de estudantes da UFMT, que trouxe informações sobre a programação e os debates do congresso, bem como sobre diferentes momentos históricos relacionados à luta dos trabalhadores. “Para nós, foi uma maneira de resgatarmos algumas bandeiras da nossa história”, acrescentou. 

Na avaliação da presidente do Sindicato Nacional, o 36º Congresso foi muito positivo, na medida em que tocou questões centrais da luta dos docentes. “Nos desafiamos a, novamente, reafirmar esse sindicato como um sindicato de base, como um sindicato nacional, um sindicato democrático. Enfrentamos nossas divergências e as nossas polêmicas com o debate”, disse.

“Esse 36º Congresso teve marcas e marcos importantes. Aqui também aprendemos. Aprendemos com as mulheres que tiveram coragem de denunciar o assédio. E que isso sirva de aprendizado para nós. Que sirva de amadurecimento para esse sindicato, para que a gente mude a nossa postura”, ressaltou, reafirmando que “não aceitaremos nesse sindicato nenhum tipo de opressão”.

Eblin pontuou que as deliberações do 36º Congresso fortaleceram a construção da unidade na luta e na ação e elencou, ainda, os desafios postos aos docentes em 2017. “O que a gente ousa aprovar e realizar no período de um ano é muita coisa. Mas demonstra a grandeza desse sindicato e a disposição que a nossa categoria tem de construir, não só uma universidade pública, que seja realmente democrática, para todos, mas também outra forma de educação e de sociabilidade. Nós temos o desafio, agora em 2017, de mais uma vez intensificar a unidade na luta, tendo a clareza que temos o desafio de fortalecer a nossa central sindical e também desafio de ampliar o espectro de relações com outros movimentos sociais e com outras organizações sindicais, para que possamos ampliar as lutas da classe trabalhadora, com aqueles e aquelas que estão no mesmo campo, mas não estão organizados nas mesmas entidades que o ANDES-SN”, comentou.

“Demos um passo a frente quando afirmamos que não aceitaremos o sucateamento das universidades estaduais, e, por isso, vamos dizer ‘não’ de forma coletiva no ato nacional em defesa da Uerj, que na verdade é um ato em defesa da educação pública, em defesa de todas as universidades estaduais. Nossos desafios são muitos. Lutar contra a reforma da previdência esse ano, lutar contra a reforma trabalhista e lutar para que a universidade pública gratuita laica de qualidade socialmente referenciada continue existindo”, acrescentou.

Ao encerrar o 36º Congresso, a presidente do Sindicato Nacional, afirmou, ainda, que os docentes estarão “juntos nas ruas, mais uma vez em 2017, em defesa das bandeiras que o ANDES-SN construiu ao longo de seus 35 anos, e nos desafiando as outras que ainda vamos construir”.


Fonte: ANDES-SN


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